A vida seria um erro, se não existisse a música(Nietzsche). A vida é um erro, mas a música atenua este erro(O Caveira)

Isso, abaixo, seria a vida após a morte?

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Assustador Roger Waters


               Forever friends

                     Uma esmolinha, pelo amor de Deus!
Roger Waters encerra o disco "The Final Cut", com "Two Suns in The Sunset", narrando, no começo da música, com tranquilidade, suavemente, o fim do mundo! No entanto, no meio da canção, o clima se eleva, aparece o desespero, Waters grita "Você congela os momentos no tempo com seu medo
E você nunca mais ouvirá suas vozes
E você nunca mais verá seus rostos
Você não tem mais o recurso da lei". Depois volta a cantar do modo que começou, com tranquilidade...
"Finalmente, eu entendo os sentimentos da minoria. Cinzas e diamantes, amigos e inimigos, somos todos iguais no fim". E a música se encerra com um solo de saxofone. Na minha opinião, ficaria melhor, o término com um solo de guitarra, ou até solos alternados de sax com guitarra.

No "The Wall", Waters brigou com Wright.  David Gilmour: "Wright não estava fazendo o que ganhava para fazer".  No "The Final Cut" era chegada a vez do baixista brigar com Gilmour e Mason.
Nick Mason: "Waters criticava muito os ditadores, mas estava agindo como se fosse um deles".
O Floyd não apresentou shows tocando músicas do "The Final Cut". Até mesmo pelo título do álbum, O Corte Final, dá para se supor, que o grupo havia chegado ao fim. Hoje, na internet, é dito que Waters anunciou o fim do grupo em 1985, no entanto, durante anos, não li nada a esse respeito.

Em 1984, Waters lança "The Pros and Cons of Hitch Hiking". O estilo é o mesmo iniciado em "The Wall". No disco, assim como no "The Final Cut", não escutamos sintetizador. É melhor que o "The Final Cut", mas bem inferior ao "The Wall". As letras não me tocaram muito; confesso até que não entendi bem o que Waters quis dizer. Fácil de entender foi que o mesmo continuava xingando, criticando, berrando(rs). Continuou o uso e abuso de saxofone e coro feminino. O pianista e maestro Michael Kamen ainda estava presente. A grande e saudável novidade foi a presença de Eric Clapton . No "The Final Cut", a guitarra de David Gilmour estava meio apagada, no "The Pros and Cons..." não se pode dizer o mesmo, Clapton brilha. O que incomoda no disco é que Waters repete muito as notas do tema central, no entanto, há bonitas canções, como "Sexual Revolution", uma música perfeita, com um trabalho monumental de Eric Clapton, um eficiente toque de baixo e o vocal raivoso, cheio de emoção de Roger Waters. Mas a que eu mais gosto é a faixa título, que é do estilo de "Another Brick in The Wall-part 2", com um refrão forte, belíssimo, cantado pelo coro feminino.
A fúria, o desespero, o inconformismo de Waters , se faz notar com mais intensidade em "Go Fishing", que apresenta um bonito solo de dobro guitar, magestralmente tocada por Clapton.

"When The Wind Blows"(1986) é uma trilha sonora, com a participação de músicos como David Bowei, Phill Collins e Genesis, mas é Waters que contribui mais, suas composições preenchem metade do disco.
E, desta vez, o baixista se preocupou mais em fazer efeitos sonoros, insossos até, eu penso. Nas músicas, propriamente ditas, seu estilo continuou o mesmo, arranjos idem. Clare Torri, aquela que brilha com sua voz em "The Great Gig in The Sky", participa do disco. A novidade foi que Waters compôs, pela primeira vez, uma música instrumental.

Em 1987, Waters lança "Radio Kaos", um disco detonado pelos críticos e por grande parte do publico.
O disco é um típico álbum dos anos 80, repleto de sintetizadores, sequenciadores e bateria eletrônica. Mas o saxofone e o coro feminino ainda tinham presença bem marcante. Os solos foram curtos; em algumas músicas nem escutamos solos. A guitarra não brilhou, como no "The Pros and Cons...". Ainda assim, gostei mais do "Radio Kaos", que dos seus álbuns anteriores(incluindo "The Final Cut"). As melodias me cativaram mais. A voz de Waters saiu incrível na faixa título.

Ainda em 1987, o Pink Floyd, sob a batuta de David Gilmour, volta a gravar. Waters não gosta nem um pouco disso, entra na justiça, mas perde...

Cinco anos depois, lança "Amused to Death". Desta vez, as letras voltaram a me tocar mais. O homem continuou de mal do mundo(rs), criticando religião, capitalismo... Na faixa título, ele , junto com uma voz feminina, diz: 
"Doutor Doutor, o que está errado comigo?
Essa vida de supermercado está ficando longa demais
Qual é a vida de uma TV colorida
O que é a vida em uma concha de uma rainha adolescente". E que título a música tem, Se divertindo até morrer!

Em "Amused to Death" não escutamos saxofone(até que enfim, ufa!), mas o coro feminino continua á toda.
Na guitarra, temos a presença do ilustre Jeff Beck, que dá um verdadeiro show.
"It´s a Miracle"(já postada aqui no blog) , uma crítica ácida, sarcástica e triste ao capitalismo, é minha música predileta de Waters, em sua carreira solo.
Tenho esse disco, nas antigas fitas cassete. Na época de seu lançamento, eu detestava cds. Esperei ansiosamente que fosse lançado o vinil, mas nada... Então comprei a fita gravada, que veio com uma capa similar à do cd, com letras, ficha técnica. A gravação da fita é ótima, e, até hoje a tenho.
A meu ver, esse foi o melhor trabalho solo, que Waters nos apresentou.

Quanto à ópera "Ça Ira", lançada em 2005, não me fez a cabeça.

E Waters continuou fazendo muitas apresentações ao vivo, inclusive aqui, no Brasil. Voltou a tocar e fez as pazes com seus ex-companheiros do Pink Floyd; apresentou umas poucas músicas inéditas, sem mostrar novidade alguma, se mostrando bem repetitivo.

Vale lembrar que em 1970, ele junto com o músico de vanguarda, Ron Geesin, gravaram "Music From The Body". Esse álbum, na verdade, é mais coisa de Geesin, que é o autor da maioria das músicas(no disco consta 22 faixas!!). O disco é bem insano, chegamos até a escutar barulho de flatos e arrotos. Mas tem seu lado melodioso: Waters compõe três músicas bem suaves e Geesin mostra seu lado, bem erudito, em canções com arranjos de violoncelo, violão, banjo, bandolim, violino. Eu adoro o disco!

Chamo o Waters de "assustador", pelo fato de seu gênio irascível, pelo seu inconformismo, pela sua inquietude.  Nick Mason:  Rick Wright sempre foi o mais quieto do Pink Floyd , Roger Waters sempre foi o mais intimidante; eles não mudaram, com o passar do tempo".
E, de tão assustador, ele já andou assustando até mesmo a minha saudosa mãe e ao meu irmão(rs).
Eu tinha o costume, na casa dos meus pais, de ouvir música com o quarto trancado. Um dia, meu irmão ao entrar no quarto, entrou quando eu ouvia "The Final Cut": a terceira faixa havia terminado, depois de um curto silêncio, "The Hero's Return" entra , de forma avassaladora, guitarras, bateria e baixo fazem muito barulho, meu irmão se assusta, dizendo o tradicional, 'q susto!', mas leva tudo no bom humor, sorrindo.
Com a minha mãe já não foi bem assim(rs). Eu escutava "The Pros and Cons...", e minha mãe entrou no quarto, assim como aconteceu com meu irmão, quando havia silêncio no disco, aí, Waters dá um terrível berro(rs), e os instrumentos musicais vão às alturas! A mama, que nunca foi chegada em palavrões, proferiu um: filho da p.(rs) , e olhou com uma expressão para o disco, repleta de ódio. Minha mãe sempre detestou meus discos, chegando até a dizer, em muitas ocasiões: 'Não existe dinheiro mais mal empregado, do que comprar discos".
A visão que uma parte do público tem sobre Waters , também é interessante, um conhecido meu, jornalista, psicanalista, quando o baixista gravou "The Pros and Cons..." , disse: "Waters já está enchendo o saco! Ele precisa é de fazer uma terapia"rs.







segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Assustador Roger Waters



 Qual mulher que consegue resistir ao meu charme?

E em 1973 o Pink Floyd grava "The Dark Side of The Moon", que bate recorde de vendas. Pela primeira vez é creditado a Roger Waters a autoria de todas as letras. Á partir desse álbum é que o famoso grupo inglês se torna triste. Nas letras de Waters já não havia mais objetividade, nada mais de falar da natureza, de coisas sem nexo, de psicodelismo, romantismo... nada disso. Daquela época em diante, só crise, críticas, inquietação, revolta. Waters era o protótipo do homem brigado com o mundo.
O aclamado disco do prisma fala sobre velhice, morte, a insensatez da guerra, loucura, critica ao capitalismo.
O baixista escreve três músicas sozinho. Uma vez, vi um documentário, numa tv a cabo, no qual escutei a demo de "Money", só com o vocal de Waters e um violão; a canção era meio blues. Waters, que eu saiba, nunca a cantou ao vivo. Inclusive , ele é muito criticado por isso, havendo quem o considere um péssimo vocalista, o que não concordo mesmo! Em "Brain Damage", ao falar de loucura, nota-se uma alusão ao ex-companheiro Syd Barrett. Escreveu a instrumental "On The Run" de parceria com David Gilmour. Essa música foi escrita originalmente por Gilmour, que dedilhava sua guitarra... Ela foi apresentanda ao vivo, com grande destaque para o piano elétrico de Wright.  Waters adaptou ela num sintetizador VCS3. Gilmour, sorrindo, disse que ficou puto por Waters ter feito um trabalho melhor que o dele.rs
Nova parceria entre Waters e Wright: "Us and Them". O que poderia resultar, um melancólico(Wright), outro triste e inconformado(Waters) de uma parceria assim? Belíssima canção , e uma das mais tristes do repertório do Floyd.

"Wish You Were Here"(1975) é o disco seguinte. Na longa e linda suite "Shine On You Crazy Diamond", Waters homenageia tristemente Syd Barrett. Na faixa título, composta de parceria com David Gilmour, há uma controvérsia, pois uns dizem que é mais uma homenagem a Barrett, outros falam que Waters fez a letra para o seu pai... Waters detona o show business. "Have a Cigar" e "Welcome to The Machine" são creditadas ao baixista. Ambas progressivas, com arranjos bem elaborados.

No "Animals"(!977), Waters compara os seres humanos com os animais. Wright não aparece como compositor, e somente uma faixa, "Dogs" é que não foi  composta pelo baixista(a faixa foi mais uma parceria com Gilmour). Desta vez, Waters se destacou bem mais que seus companheiros, até mesmo na parte vocal, já que canta todas as músicas; apenas em "Dogs" é que escutamos o vocal de Gilmour.
"Sheeps" e "Pigs" são músicas pesadas, com muita variação, um instrumental rico e são longas. E fica uma pergunta no ar: será que Waters arranjou tais músicas sozinho?

E no final de 1979, o Floyd termina de gravar o álbum duplo "The Wall". Apesar da boa ajuda de Gilmour, pode-se dizer que é um disco solo de Waters, que, na minha humilde opinião, chegou ao ápice como compositor. Um disco auto-biográfico de Waters, de cunho existencial, amargo, critico, inconformado, mas com um final esperançoso, depois que o muro é derrubado. O disco conta a saga de Pink, que perdeu seu pai na guerra, quando ele estava no berço. O pai deixou apenas uma foto num álbum. Waters grita: "Papai, o que mais você deixou pra mim???  Apenas mais um tijolo na parede".
os professores também levam a deles:  "Nós não precisamos de educação, não precisamos de controle de pensamento. PROFESSORES, DEIXEM OS ALUNOS EM PAZ!"
Ninguém escapa da fúria de Waters, que detona o casamento em "One of my Turns": "noite após noite, nós fingimos que está tudo bem, mas eu envelheci e você ficou mais fria".
Provavelmente "Mother" é a música mais amarga que alguém já compôs com referência à nossas mães.
O grau de dependência, de desamparo, é estarrecedor! As palavras ferinas que Waters profere a respeito de nossas mães, é impressionante mesmo! Como disse um conhecido meu: 'eu não gostaria de ser mãe, de modo algum!'rs. "Filho, fique quietinho agora, não chore
Mamãe irá fazer todos os seus pesadelos virarem verdade
Mamãe ira colocar todos os medos dela em você
Mamãe vai manter você bem debaixo da asa dela

Ela não lhe deixa voar, mas talvez lhe deixará cantar
Mamãe lhe deixará aconchegado e aquecido..."
..." Você sempre será uma criança pra mim".
Mais sarcástico e cínico impossível! rs

No final, testemunhamos o julgamento, na ópera(?!) "Trial", parceria de Waters com o produtor Bob Ezrin. Pink é acusado, entre outras coisas, de ter sentimentos (quase) humanos. Questiona que depois de tanto sofrimento, a culpa poderia ter sido só dele, exclusivamente dele. A figura do juíz é patética. Creio que Waters quis mostrar o ridículo do poder judiciário, o circo que é um julgamento.
O poderoso juíz disse a surrada frase: 'em todos esses anos de jurisdição, jamais vi um caso como esse... sinto vontade de defecar". E a sentença é a derrubada da parede.
E tudo termina calmamente, com "Outside the Wall", parecendo haver uma luz no fim do túnel.

Três anos depois, era lançado "The Final Cut". O Pink Floyd havia se tornado um trio- o tecladista Richard Wright não fazia mais parte da banda. Sempre houve divergências entre Waters e Wright, e durante a gravação do "The Wall" a coisa chegou a um ponto que o saudoso tecladista teve que sair do grupo.
Roger Waters: "Eu estava sofrendo muita pressão da gravadora para soltar o mais rápido possível o "The Wall", então, pedi que Wright escrevesse alguma coisa, mas ele não me atendeu. Falaram muito coisa a meu respeito... que eu mandei Wright embora... não quero mais comentar sobre isso!"
Richard Wright: "Na época do "The Wall, Waters estava com o ego nas alturas, se achando que era só ele o Pink Floyd; tivemos brigas terríveis, e ele acabou dizendo: 'não quero mais Rick Wright na banda!'."

Penso que até antes do "The Wall", Waters não tinha um estilo definido de compor, o que eu achava até interessante, pois em cada composições suas, havia uma surpresa. No entanto, no "The Wall", ele passa a ter um estilo próprio; começa cantando em tom baixo, suave, com a voz mais grave e, de repente, passa a gritar. Virou uma idéia fixa os efeitos de estúdio: latidos de cachorro, criança chorando, diálogos, explosões..., o coro feminino e o saxofone se tornaram uma constante. Waters continuou só a reclamar, a criticar, a xingar. Saudades dos bons tempos de "Saint Tropez", "The Nile Song", "Julia Dream", "Embryo"...

No "The Final Cut", as canções são do estilo das que escutamos no "The Wall", só que sem a mesma qualidade. Não é um disco ruim, mas poderia ser melhor.  A bateria em "Two Suns in The Sunset" não é tocada por Nick Mason. David Gilmour está apagado, não participa de algumas músicas.
Quem acabou por se destacar no instrumental, foi, justamente, Michael Kamen, maestro e pianista(ela não era integrante oficial do Floyd). Algumas canções são bem trabalhadas, boas, mas noutras, falta algo, elas não se desenvolvem, se perdem no ar, parecendo incompletas, exemplos: "The Post War Dream", "The Hero's Return", "Southampton Dock", e as musiquinhas de 1 minuto de duração também encheram o saco.
Quanto ás letras, são ótimas! Waters dedica o disco a seu pai, Eric Fletcher, morto na Segunda Guerra Mundial, com apenas 31 anos.

"Diga-me a verdade, por que Jesus foi crucificado? Foi por isso que meu pai morreu? Foi por mim? Foi por você? Tenho assistido TV em demasia?" ... "Há uma acusação em seus olhos?"
... Com todas as crianças cometendo suicídio..."
O que nós temos feito Maggie(Margaret Tatcher)? O que temos feito pela Inglaterra?
Deveríamos gritar, berrar? O que aconteceu com o sonho pós-guerra?"

Em "The Fletcher Memorial Home", uma canção, como de costume, triste e amarga, num estilo que me lembra ópera, Waters faz uma ótima sugestão: O Memorial Fletcher, uma espécie de asilo/manicômio para políticos tiranos...rs. INCRÍVEL!

O Lar Memorial Fletcher

Leve todas as suas crianças enormes para algum lugar
E construa para eles uma casa, um pequeno lugar deles.
O Memorial Fletcher
Para Tiranos e Reis Incuraveis.

E eles podem aparecer diariamente a eles mesmos
Em um circuito fechado de T.V.
Pra ter certeza de que ainda são reais.
É a única conexão que eles sentem.
" Senhoras e senhores, por favor recebam Reagan e Haig,
Sr. Begin e amigo, Sra. Thatcher, e Paisly,
"Olá Maggie!"
Sr. Brezhnev e camaradas.
"Quem é o individuo careca?"
O fantasma de McCarthy,
As memórias de Nixon.
"Adeus!"
E agora, para adicionar cor, carne de um grupo de latino-
americanos anônimos empacotados em glitterati."

Será que eles esperam que a gente os trate com algum respeito?
Eles podem polir as suas medalhas e afiar os seus
sorrisos, e se entreterem jogando jogos por algum tempo.
Boom boom,bang bang, deite você está morto.

Seguro no olhar permanente de um olho num copo frio
Com os seus brinquedos favoritos
Eles serão bons garotas e garotos
No Memorial Fletcher Para Gastadores
de Vida e Limites.

Todo o mundo está aqui?
Vocês estão tendo um tempo agradável?
Agora a solução final pode ser aplicada"


continua...





sábado, 30 de abril de 2011

O Assustador Roger Waters

Oh, que lindo eu sou!
Nossa, e ainda existe quem ache que o David Gilmour é mais bonito do que eu!
Quem é Alain Delon?
E aí, estou com a bola toda  ou não?
Acreditem,eu que rejeitei a Jude
Ah, uma molecagem de vez em quanto não faz mal a ninguém!
Também toco instrumento de sopro, e melhor que o David Gilmour, certo?
O que as mulheres dizem de tudo que estão vendo?
Os gatos esperam... Já estão acostumados, ou melhor, nem tanto, já que variam muito as gatas que aparecem
à minha procura.
Vejam só que paciência que tive na vida. Minha banda de apoio fazendo graças, ganhando dinheiro ás minhas custas...

Uma vez galã, sempre galã!


Como sou pessimista, melancólico, questionador, reclamador(rs) e tanta coisa de ruim, eu não poderia ficar indiferente a figuras musicais como, Raul Seixas, Ozzy Osbourne, Ian Curtis, John Lennon e, principalmente, Roger Waters, que , a meu ver, é o pior de todos(rs).
O homem contesta , critica  tudo, nada escapa da sua ira. E nenhum outro músico transmite tanta tristeza, tanto descontentamento como Waters.  Suas canções, mormente à partir do famoso álbum "The Dark Side of The Moon", são tristes, violentas. Ele lamenta, berra, como nenhum outro músico; é como se a gente tivesse xingando e quebrando tudo à nossa volta.

Waters não é meu músico predileto no Pink Floyd-gosto mais do tecladista Richard Wright- mas foi o que mais compôs no grupo. Sem dúvida, o melhor letrista, e, na minha modesta opinião, o mais eclético do Floyd. Compôs músicas psicodélicas, baladas, progressivas, jazz, folk, country e até rock pesado... e ópera!!!
O que não sei é se os arranjos de suas canções foram feitos por ele. A única música, no Pink Floyd, que tenho certeza que foi arranjada só por ele, foi "Saint Tropez"(Wright disse que Waters chegou com a música pronta no estúdio).

A primeira música que Waters apresentou ao público, de sua autoria, foi "Take Up Thy Stethoscope and Walk", gravada no primeiro álbum do Floyd, em 1967. Nesta época, Syd Barrett era disparado o maior compositor da banda. A música é muito boa, bem psicodélica e com uma ótima instrumentação. O vocal ficou por conta de Barrett, Waters faz um backing vocals bem estranho e original, repetindo, 'doctor, doctor...'. A introdução, com a bateria, é incrível e diferente. O vocal some rápido, dando lugar para um contagiante instrumental, no qual todos os instrumentistas brilham: guitarra, orgão, baixo e bateria. E a música termina, como começou: com um batido de bateria. A letra? Bem, não é non sense,como pensei que fosse. Há toques de amargura nela.

No disco seguinte, já sem Syd Barrett, muitos dizem que Waters assumiu a liderança do Pink Floyd. Eu não diria isso, o grupo se tornou democrático, à partir daí, embora o baixista já se sobressaia como compositor: compôs 3, das 7 músicas do "A Saucerful of Secrets"(1968)  "Let There be More Light" e "Set The Controls for the Heart of the Sun", são o que chamo de melodias psicodélicas progressivas. Ótimas! Com letras psicodélicas; "Set The Controls..." é puro non sense!  Mas em "Corporal Clegg", que tem uma melodia bem psicodélica, remetendo a Beatles, Waters já demonstra seu descontentamento: Cabo Clegg é um amargurado ex-combatente, que perdeu sua perna na guerra, mas foi premiado com uma medalha. Melodia alegre, letra triste. Na canção escutamos um instrumento de sopro,kazoo, que acredito ter sido tocado por Waters.

"More"(1969) contém 13 faixas, a maioria composta em conjunto. No entanto, Waters compõe 5 músicas. Quatro baladas, bem suaves, algumas cantadas por David Gilmour- belíssimas! A novidade é "The Nile Song", que é um rock 'pauleira'... Nas letras, não vi nada demais; focam a natureza; o psicodelismo ainda está presente. Não consegui entender o que Waters quis dizer em "Cymbaline". Um conhecido, que a traduziu pra mim, disse que Cymbaline é uma leoa(?!).

No "Ummagumma"(1969), o disco é dividido entre os quatro integrantes, com cada um mostrando sua capacidade individual. Cada qual compõe uma faixa, mas Waters compôs duas, apesar delas juntas, serem menores que a música de Richard Wright.
E o baixista não toca seu baixo. "Grantchester Meadows" é uma canção bem lenta, na qual escutamos apenas violão e o canto dos pássaros. A letra fala sobre os campos de Grantchester, uma pequena vila, na Inglaterra. A outra faixa tem um título enorme, e é bem maluca, certamente uma das mais loucas , gravadas pelo Pink Floyd, uma anti-música, na verdade... mas bem divertida!

No "Atom Heart Mother"(1970), Waters empatou com seus colegas, Gilmour e Wright: o disco tem 5 faixas, duas compostas por todos os integrantes, as outras três compostas separadamente por Waters, Wright e Gilmour.
"If" é uma simples e bela música,com um bonito arranjo de violão, guitarra , piano e orgão, cantada suave e tristemente por Waters: "se eu fosse um homem bom, falaria mais com vc do q falo... se eu ficar louco, por favor, não coloque seus fios em meu cérebro", "se eu fosse um homem bom, entenderia a distância que há entre os amigos".

Waters e Gilmours foram parceiros ainda no final dos anos 60, ao comporem juntos, a psicodélica(e eu pouco triste), "Point me at Sky", lançada como single. No "Meddle"(1971), os dois compõe duas músicas juntos: "A Pillow of Winds" e "Fearless". Ambas de andamento bem lento, mais acústicas. Cantadas por Gimour, mas creio que as letras foram de autoria de Waters. A primeira é romântica, a segunda é um pouco confusa, focando vários temas, sendo o que mais me chamou atenção, foi: "destemido o idiota encara a multidão"; "sem piedade, o juíz dá a sentença". Frases assim, só podem ser coisas do Roger Waters, não? rs
Waters é o único do grupo a compor uma música sozinho no "Meddle", "Saint Tropez", uma espécie de jazz, bem calmo e acústico, com um belo solo de piano executado por Richard Wright. Letra tranquila, relaxante...

No "Obscured by Clouds", Waters e Gilmours criam três canções, em parceria. Curioso é que uma delas, a faixa título, é instrumental, e Waters nunca foi de compor obras instrumentais. Na música , os destaques são a inconfundível guitarra de Gilmour e um sintetizador, creio que VCS3. Bem, é possível que Waters é que tenha tocado o sintetizador. "Wot's ... Uh the Deal" é um folk bem bonito: violão, piano, slide guitar e a voz, a voz de Gilmour... Quanto á letra, não achei lá essas coisas... "The Gold it's in the" tem pesados riffs de guitarra; uma canção alegre, focando aventura e liberdade. Waters compõe sozinho, "Free Four"(já postada aqui no blog), melodia alegre, letra triste: a morte está em evidência...
A novidade é que Waters e Wright , pela primeira vez foram parceiros. Pelo que conheço do grupo, acredito que em "Burning Bridges" e "Stay", Wright foi o autor das músicas, ficando as letras , por conta de Waters. Tranquilidade na letra de "Burning Bridges", romantismo em "Stay".

Continua...