A vida seria um erro, se não existisse a música(Nietzsche). A vida é um erro, mas a música atenua este erro(O Caveira)

Isso, abaixo, seria a vida após a morte?

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ligéias



A Ligéia de Poe

Ligéia foi um dos  melhores e mais famosos contos do genial Edgar Allan Poe.  Poe chegou a criar uma mulher, que se não é perfeita, chega perto da perfeição.  Há até quem diga que nunca houve uma mulher como Ligéia(eu próprio já disse isso).  Posso estar equivocado, mas o marido de Ligéia era dependente dela; parecendo até se sentir inferior em relação a ela.  Ligéia era mais culta, entre outras coisas, do que ele.  Ela seria uma feminista?  Poe seria adépto do feminismo? Ambos se amavam(segundo o conto parecia isso, mas tenho minhas dúvidas em relação a Ligéia). Ligéia não queria morrer.  Mesmo apaixonado e inconformado com a morte da sua amada, seu marido casa-se novamente, com Lady Rowena; segundo ele foi num momento de alienação mental.  Os dois não gostavam um do outro.
Entre os predicados de Ligéia, estaria sua 'esquisita' beleza, a se destacar os sinistros olhos, que assustavam seu marido.
No conto há uma dúvida: o espírito de Ligéia foi quem mantou Lady Rowena ou tudo não passou de um delírio do seu amado, viciado em ópio?  Ligéia seria uma mulher diabólica?


A Ligéia de Corman

Nos anos 60, século passado, o diretor Roger Corman adaptou 8 filmes baseados nos contos de Edgar Allan Poe, sete deles protagonizado por Vincen Price. O último foi "The Tomb of Ligéia"(1964).
Corman criou uma Ligéia diferente. Aliás, o escritor do filme é que fez tal coisa. Muitos dizem que houve um 'adultério' por parte do cineasta, mas achei o resultado bem interessante.  Assim como no conto, Ligéia não queria morrer e os dois se amavam. No entanto, quando Verden Fell(nome do viúvo da Ligéia) via o fantasma de Ligéia, tentava esganá-la.  Verden era um homem ambíguo, eu penso, parecendo ao mesmo tempo amar e odiar sua Ligéia. Lady Rowena era uma mulher apaixonada e que sabia o que queria: o Verden, que, totalmente descrente, dizia: "Nada tenho a oferecer".  Verden diz que não quer ser digno de piedade, Lady Rowena, que insiste em conquistá-lo, diz, em outras palavras, que tem piedade e atração por ele, tem um sentimento, muito forte, acabam se casando. No entanto, logo na noite de núpcias, Verden coloca seus óculos escuros e não fica com ela, prefere a companhia da sua falecida amada.  Lady Rowena passa por desagradáveis momentos, perseguida pelo espírito de Ligéia, que atua num sinistro gato preto.  No final, Verden prefere ficar com Lady Rowena, mas já era tarde demais...Creio ser o filme mais amargo das adaptações que Corman fez de Poe. A música, logo no começo da película, não é de filme de terror e sim uma canção bem melancólica.  Lady Rowena lutou em vão ao tentar conquistar um homem amargo, que, de fato, nada tinha a oferecer.  

Ligéia Orkutiana



Ao assistir "The Tomb of Ligeia", em 1972, na TV Globo, fiquei fascinado com a Ligeia, bonitona, de longos cabelos negros, enigmática, e a forma apaixonante que Verden Fell se referia a ela, a saudade que o mesmo sentia, me deixava mais fascinado ainda.  Até 1973, assisti o filme por três vezes, sendo uma no cinema.
Poucos anos depois, é que li o conto, escrito por Edgar Allan Poe. E, como disse acima, há diferenças entre as Ligeias de Poe e de Corman.

Eu achava estranho Verden tentar esganar a Ligeia, no entanto, isso não me incomodava muito, não pensava tanto assim sobre isso. Mais influenciado pelo filme que pelo livro, tanto eu admirava a Lady Ligeia como a Lady Rowena; a primeira por sua beleza, com seus lindos cabelos negros e seu enigma, seu fascinio e a segunda por sua bondade, delicadeza e amor que sentia por Verden. Revi o filme, por um tanto de vezes, em 2002, num canal de TV a cabo. Reli o conto algumas vezes,  e quanto mais me aprofundava no assunto, duvidava do caráter da Ligéia. O marido dela, do conto de Poe, a amava, mas era um amor dependente, esquisito, tão esquisito como os olhos de Ligéia. E paira a dúvida: o espírito de Ligéia matou ou não Lady Rowena?
Ora, se foi um delírio de seu marido, um viciado em ópio, denota  a irresponsabilidade do  mesmo, se entregando totalmente ao vício, devido a perda da amada.

Corman já criou uma Ligéia, além de mais sinistra, que profere o nome de Verden, com uma entonação bem grave e dá estranhas  risadas, diabólica, cujo espírito perturba ao máximo a pobre Lady Rowena. Vale lembrar que ela o hipnotizou antes de morrer, para que ele nunca a esquecesse e passasse a noite com seu cadáver.

Ao escolher o nick , com o sobrenome Verden, pensei mais na Ligéia. Na verdade, eu queria mais , era mais fascinado pela Ligéia que pela Lady Rowena, até mesmo pelo fato da  primeira ser morena clara,meu tipo preferido de mulher. Porém, quanto mais eu me aprofundava no assunto, mais duvidava da Ligéia...

No Orkut, conheci algumas Ligéias. Que eu me lembre, ao menos duas chegaram a ficar em meu rol.
Uma delas me chamou muita atenção, até mesmo porque eu conhecia seu nome verdadeiro, quando ela tinha outro perfil. No seu perfil verdadeiro, ela mostrava seu rosto, no de Ligéia, seu avatar usava fotos góticas.  Quem ler isso, pode até achar ridículo: a mulher verdadeira não me assustava, a Ligéia me assombrava. Senti que Ligéia gostava de provocar , seduzir(mesmo que fosse inconscientemente) e  adorava o mistério em torno de si. Se divirtiu muito com isso; foi muito paparicada. Me atrevo até a dizer que ela se indentificou com a personagem, tanto que até chegou a criticar veementemente a Lady Rowena de Corman, como se essa não prestasse.

Se os contos de Poe eram realmente o reflexo do que ocorria em sua mente, e ele tinha preferência por "Ligéia", penso que o escritor tinha um fascínio especial por mulheres más, dominadoras, uma espécie de masoquismo.  Ligéia não tinha a doçura de uma Leonor ou Anna Bell, talvez fosse a mais bela, mas diabólica, tipo uma bruxa , a enfeitiçar e infernizar a vida de um homem, que a ama, mas ela quer apenas ser amada...
Ligéia era do mal, é uma mulher que assusta!

Fechem as cortinas, o show já terminou!
The End