E, no último sábado, o Jo, o japonês, me repôs o último disco, que me foi roubado, há um mês atrás.
O ideal seria que o desagradável fato de ser roubado, não ocorresse. Foi muito constrangedor, pra mim e pro Jo, e, até mesmo, para o amigo dele, o W. que veio aqui em casa, em sua companhia, umas 3,4 vezes.
Para o Jo foi pior ainda, porque mexeu no seu bolso... No entanto, tive sorte nas reposições dos 4 discos, só um era importado, da Espanha, o vinil do Renaissance. os 3 nacionais eram dois do Nektar e um do Black Sabbath. O do Sabbath reposto é um cd japonês, de capa bem sofisticada, e ainda tem uma faixa bônus-muito boa, por sinal. Meu vinil do Renaissance, não estava com a capa em bom estado; o que me foi resposto, é um cd alemão, com a capa mais sofisticada também. Os dois discos do Nektar repostos foram vinis, nacionais, só que um deles, é de capa dupla(o meu era de capa simples); o outro foi, praticamente, igual.
O Jo provou ser uma pessoa digna. E fizemos mais transações: ele me deu três cds, nacionais, remasterizados, do Pink Floyd, de capas digipacks, à troco de três vinis meus similares. Fiquei muito satisfeito, pois meus vinis eram de capas simples,e os cds têm várias fotos, com letras das músicas e mais informações.
A calma, o temperamento do Jo , me impressiona . Toquei no assunto do rapaz, que o chamou de "japonês viado", num bar, na vez anterior em que nos encontramos. Novamente, mostrei minha indignação. Ele falou que não se importou, que o cara era um jovem que só queria zoar... Não é à toa que o W. falou comigo, diante dele(do Jo), que não existe pessoa mais legal do que ele.rs
Um detalhe, o Jo está com dinheiro; tanto que aos 53 anos, sem ser aposentado, não mais trabalha(mais um cinquentão vagabundo como eu-rs). Vive de renda de imóveis.
Sou muito apegado nos meus discos, muito! Não ligo pra quase nada na vida, não curto luxo, mas tenho paixão pelos meus discos, é como se eles fossem como uma harém de mulheres lindas(rs), ou uns amados filhos, ou mesmo amigos boas praças. Espero que nada aconteça com eles, que enquanto eu viver, eles estejam do meu lado. E se existir vida pós-morte,e não tiver discos no além, ficarei frustrado. Afinal, são 36 anos de uma permanente paixão. Amizades, família, parentela, amores, telenovelas, futebol, televisão, ônibus, automóveis, literatura, tudo passou em minha vida, mas meu amor pela música e pelos meus discos, permanece.

