Tudo me deixou muito confuso. Realmente eu vacilei. Em algumas horas carinhoso, em outras agressivo. Te amo, não, te odeio. Você é maravilhosa, não, você não presta.
Os dias vão passando e cada vez me sinto mais livre. Tudo voltou a ser como era antes. O céu está mais bonito. O sol e lua também estão mais bonitos. A comida está mais gostosa. Voltei a escutar minhas músicas com mais prazer, prestando mais atenção nos acordes, nos arranjos, a beleza da música voltou a ser objetiva pra mim. Na rua olho as mulheres com mais atenção, apreciando seus rostos, seus corpos.
Paixão é uma coisa muito incômoda. Ainda mais que sou um monomaníaco. Perco minha individualidade quando estou neste estado. Não que eu deixe de gostar de mim, não é isso. Considero a minha amada como um outro eu. É como se eu tivesse perdido uma parte de mim, aí a busco, a quero incensantemente. Quero essa parte do meu lado, quero beijá-la... Tenho ternura, tenho desejos por ela. Mas, ela adquiriu uma certa individualidade. É, ela seria a costela que foi tirada de mim, sem meu consentimento. Percebo que essa costela, que esse outro eu, não é igual a mim, não age como a minha pessoa. E será que essa costela, esse outro eu, é confiável? O que ele(a) faz na minha ausência? Como ela(e) se comporta com os outros?
Paixão virtual é bem pior que paixão pessoal, sem sombra de dúvidas. Principalmente, o que ocorreu comigo, já que fui alvo de uma dobradinha: uma bruxa, linda, mas má e o nefando Deus do Amor, o Cupido. Essa parceria diabólica conseguiu estragar um cado da minha vida. O Cupido tentou me pegar algumas vezes depois de 1991(o último ano que eu me apaixonei), mas eu estava vacinado contra paixões. Fui prudente, sabendo sair fora quando poderia ter um envolvimento maior(sem brincar com os sentimentos alheios, claro). No entanto, eu era bem inexperiente no mundo virtual, e a dupla má intencionada, bruxa e cupido, foi competente, extremamente competente!
Não obstante, estou livre novamente. O veneno do Cupido foi todo extirpado, o feitiço da bruxa se exvaiu, hoje conheço sua verdadeira face. Já não sinto mais um vazio, embora ainda haja ressentimentos e mágoas...
Até a poucos meses atrás, o céu, a lua, o sol, a música, a comida, tudo era você. Não havia objetividade nessas coisas, só uma subjetividade, você! Eu olhava para as outras mulheres, mas pensando em você, as comparando com você, e nenhuma poderia a se igualar a você! Contudo, o fardo da paixão se foi. Hoje voltei a ser eu, sem procurar outro eu. Hoje sou livre novamente.






