A vida seria um erro, se não existisse a música(Nietzsche). A vida é um erro, mas a música atenua este erro(O Caveira)

Isso, abaixo, seria a vida após a morte?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ela Está Deixando o Lar


"She's Leaving Home" é minha terceira música predileta dos Beatles. Creditada a Lennon e MacCartney, a canção é de autoria do segundo.  Criticado como um letrista medíocre, até mesmo vulgar e oportunista, Paul MacCartney, mais uma vez, demonstra genialidade e, acima de tudo, muita sensibilidade.

Paul canta "She's Leaving Home" acompanhado de um conjunto de cordas e ao som de uma harpa. Ah, John  Lennon enriquece mais ainda a canção, no vocal de apoio(o bye bye dele é de arrepiar-rs). Um detalhe interessante, é que era praxe o produtor George Martin fazer os arranjos orquestrais.  No entanto, na ocasião, o mesmo estava ausente, então, Paul escolheu outro arranjador.  Segundo o Beatle, Martin custou a perdoá-lo.

Na belíssima canção, Paul narra a tristeza de uns pais com a partida da filha.  Como de costume, os pais se sentem injustiçados, incompreendidos: "O que nós fizemos que estava errado?".  "Nós nunca pensamos em nós mesmos".  "Divertimento é coisa que dinheiro não pode comprar". A frase faz sentido, sim, pois que adianta ter dinheiro, ter conforto, mas viver oprimido. Me lembrei  também de alguns personagens do Woody Allen, abandonados pela esposa: "Você me sufoca!".

Certamente, que no futuro, a moça, em busca de divertimento e liberdade, se casará, terá filhos, agindo da mesma forma como seus opressores pais.
Roderick, sabiamente, não teve filhos.  Verden jamais encontrou a sua Ligéia.
O amor está deixando meu lar...

Ela Está Deixando o Lar

Quarta-feira de manhã, as cinco horas enquanto o dia inicia
Silenciosamente, fechando a porta de seu quarto
Deixando um bilhete que ela espera dirá mais
Ela desce a escada até a cozinha
segurando seu lenço
Cuidadosamente virando a chave da porta dos fundos
Pisando lá fora, ela está livre

Ela
(Nós a demos a maior parte de nossas vidas)
está deixando
(Sacrificamos a maior parte de nossas vidas)
o lar
(Nós a demos tudo que o dinheiro pudesse comprar)
Ela está deixando o lar depois de viver só
Por tantos anos. (Bye, bye)

O pai ronca enquanto sua esposa
veste seu roupão
Apanha o bilhete que está deixado ali
Em pé sozinha no topo das escadas
Ela se desmancha e clama para o seu marido
Papai, nosso bebê se foi
Porque ela nos trataria de modo impensado?
Como que ela pode fazer isto comigo?

Ela
(Nunca pensamos em nós)
está deixando
(Jamais um pensamento para nós)
o lar
(Nós lutamos com dificuldade para vencer)
Ela está deixando o lar após viver só
Por tantos anos. (Bye, bye)

Sexta-feira de manhã as nove ela está bem longe
Esperando para manter o compromisso que ela fez
Encontrando um rapaz da industria automobilistica

Ela
(O que foi que fizemos de errado?)
Está se
(Nós não sabiamos que era errado)
Divertindo
(Diversão é a única coisa que dinheiro não consegue comprar)
Algo por dentro que sempre foi renegado
Por tantos anos. (Bye, bye)

Ela esta deixando o lar (bye bye)




2 comentários:

  1. Esse post me fez lembrar de quando eu saí de casa... meu pai ficou na porta olhando, nunca vou esquecer.
    Nossa mediocridade de quando somos mais novos (odeio a palavra "mais jovem" dá uma sensacao de velhice) nunca poderá entender o quanto os pais se doam pelos filhos (alguns deles, claro) e cada ato nosso sao motivos de grande traumas pra eles.

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  2. Cris,

    Creio q pelo modo como escrevi o post, posso ter passado a impressão, q generalizei. É u assunto polêmico, e cada caso é um caso.

    Alguns filhos saem de casa, simplesmente, para se tornarem independentes, e, a meu ver, estão certos.
    Outros pq brigam com os pais, não suportam certas coisas, e havendo até os q têm o espírito aventureiro. Os pais nos passam coisas boas tb, mas as coisas más, como agressividade, possessividade, impaciência, medo, insegurança, etc. A maioria dos pais gosta dos filhos, mas ao modo deles, pois eles não erram.

    No meu caso, saí de casa por duas vezes no período entre 1976 e 1979, pra morar com minha avó materna. A primeira vez, foi ela q me convidou. A segunda, se não me falha a memória, foi pq tive uma briga forte com a minha mãe.
    Eu não gostava de morar com meus pais. Minha mãe e meu único irmão eram muito sociais-coisa q eu nunca fui- meu pai tinha o gênio terrível, foi um péssimo pai e marido. Minha avó morava sozinha, quase não recebia visitas, o contrário de na casa dos meus pais: almoços pra parentes ou amigos, aos domingos...

    Mesmo assim, não me dei bem morando com a minha avó(rs). E ao voltar pra casa, não esqueço como minha mãe me recebeu, com um sorriso lindo, disse, "bem-vindo!". E disse mais: "Apesar de discutirmos muito, senti sua falta, era muito ruim não mais ouvir a sua vozinha"(e eu tinha e tenho a voz grossa-rs).

    Eu tb nada de santo tenho, tenho má fama, de genioso(rs). É melhor não ter filhos e ficar sozinho no meu lar.

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